14 de mai de 2008

Pneu velho, problema novo!

Posted by Pedro Malta | 00:10 Categories:













Encha o tanque com pneu velho

Químico da Universidade de Leeds, na Inglaterra, está usando uma técnica antiga para reciclar pneus.

Os 700 milhões de pneus carecas jogados fora anualmente no mundo todo não precisarão mais entulhar os depósitos de lixo. Logo eles poderão servir de combustível em postos de gasolina e indústrias. O químico Paul Williams, da Universidade de Leeds, na Inglaterra, está usando uma técnica antiga para reciclar os pneus, transformando-os em petróleo e outras substâncias úteis na indústria química. O procedimento, chamado pirólise, consiste em aquecer a borracha misturada ao elemento nitrogênio. Ela se decompõe ao reagir com o nitrogênio em alta temperatura, produzindo óleo combustível, carbono e aço. Os pneus podem render até 60% do seu peso em petróleo. Mas você ainda terá de esperar um pouco para abastecer o carro com os reciclados: por enquanto, a qualidade de óleo obtido na pirólise ainda é muito baixa para ter valor comercial.

O pneu gasto, mais conhecido como careca, parece não ter mais nenhuma utilidade. Além disso, não serve nem mesmo como matéria-prima para a produção de um novo pneu devido à vulcanização. Mas não é bem assim. Quando reciclado, pode virar muita coisa, como asfalto de borracha, sola de sapato e tapetes para carros ou mesmo combustível. Desde 1999 a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) coleta e destina os chamados itens inservíveis (sem uso), já retirou na natureza 700 mil toneladas ou 139 milhões de pneus de automóveis de passeio. O investimento está em US$ 37 milhões,

O pneu sem uso é um grande gerador de entulho. Durante as obras de rebaixamento da calha do Rio Tietê, em São Paulo, em 2005, foram retirados do 90 mil pneus das águas. Após serem coletados, são retirados os aros de metal (que também pode ser reciclado para o setor siderúrgico) e a borracha triturada. Como o poder calorífico do material obtido é alto, semelhante ao do coque de petróleo e superior ao do carvão, pode ser largamente utilizado como fonte de energia (destino de 69% do produto reciclado); geralmente é opção à substituição do combustível fóssil em fornos de cimenteiras.

Segundo Álvaro Augusto de Oliveira, gerente-geral da Reciclanip, pneus reciclados podem ser usados para fabricar asfalto de melhor qualidade. O asfalto de borracha adquire uma memória elástica que dilata e contrai enquanto os veículos circulam sobre ele, assim se adaptando melhor às variações de temperatura. Para cobrir um quilômetro de rodovia são necessários 4,6 mil pneus de passeio. Apesar de o preço ser quase 30% maior, Oliveira afirma que vale o investimento pela preservação das estradas e do próprio meio ambiente.

Outros destinos são os artefatos de borracha (24% do total), como tapetes para carros, pisos industriais, quadras poliesportivas, rodas para carrinhos de supermercados, artigos para jardinagem. Existe ainda o uso em laminação (7%), na produção de percintas (indústria de móveis), solas de sapato e dutos de águas pluviais.

Pneus usados vão virar óleo combustível

A Petrobrás desenvolveu tecnologia que permite incorporar os pneus velhos ao xisto (mineral com baixo teor de óleo) para a produção de combustível. Método já está gerando emprego para os catadores de papel de Curitiba

A Petrobrás desenvolveu um método para transformar pneus velhos, um perigo para o meio ambiente e para saúde (por causa dos mosquitos da dengue), em óleo combustível, usado principalmente nas usinas termelétricas para produção de eletricidade.

A tecnologia foi desenvolvida pela Unidade de Negócios da Industrialização do Xisto da Petrobrás instalada em São Mateus do Sul (PR), a cerca de 140 quilômetros de Curitiba. Depois de um ano de teste, a unidade desenvolveu tecnologia para usar o pneu velho, em conjunto com o xisto (mineral com baixo teor de óleo - entre 7% e 11%) , para a geração de óleo combustível e outros derivados.

Alguns catadores de papel da região metropolitana de Curitiba descobriram com essa nova tecnologia uma nova forma de ganhar dinheiro e estão juntando pneus usados. A reciclagem de pneus é estimulada pela Prefeitura de Curitiba.

A Petrobrás vem estudando o uso do xisto há mais de 30 anos. A possibilidade do uso de resíduos de pneus (pneus cortados) resultou da pesquisa em torno do processo e abriu um novo e promissor filão de negócios.

"Além de rentável é ecologicamente correto", observa o gerente-geral da unidade, Paulo Rosa de Campos.

Cerca de 30 milhões de pneus velhos são abandonados por seus donos a cada ano no Brasil, e apenas uma pequena parcela deles é reciclada. A capacidade instalada da usina do Paraná permite reciclar quase inteiramente toda a sucata de pneus de um ano do País. Segundo Campos, são 27 milhões de pneus por ano, que seriam misturados às rochas do xisto.

Mesmo tendo iniciado a operação efetiva no segundo semestre do ano passado, Campos garante que quase já não há pneu usado nas cercanias de Curitiba. "Os catadores de papel descobriram que o pneu usado é um negócio rentável", observou. Cada pneu velho rende R$ 0,30 ao catador curitibano. A opção de usar a mão-de-obra que já atuava com papel mostrou-se acertada, na avaliação do executivo. "A logística funciona de forma bastante satisfatória", observa.

A tecnologia para a reciclagem do pneu foi desenvolvida internamente pela Petrobrás e o início da operação da unidade se dá em bom momento. A partir deste ano, importadores e fabricantes de pneus novos são responsáveis pela destruição ou reciclagem do produto usado.

Em 2002, para quatro pneus importados ou fabricados, a empresa responsável terá de destruir um pneu velho (25%) e essa proporção sobe para 50% em 2003, 75% em 2004 e 100% em 2006.

A nova determinação, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), faz com que o Brasil seja o primeiro país do mundo a tornar a reciclagem de pneus obrigatória, segundo Campos.

Outro "braço" do governo fortemente interessado na destruição dos pneus velhos é o Ministério da Saúde. O governo constatou que o pneu velho é um dos principais responsáveis pela propagação da dengue, por ser foco de criação do mosquito.

A Petrobrás paga R$ 50 por tonelada de pneu já granulado, ou seja, cortado em tamanhos previamente definidos pela empresa. Com isso, além dos catadores de pneus, outras empresas se beneficiam da iniciativa, inclusive metalúrgicas próximas à Curitiba, além de empresas de transporte.

O pneu exige cortes especiais porque, além da borracha, tem em sua composição fios de arame, o que aumenta a sua resistência. Mas Campos está otimista. "A reciclagem de pneus já se mostrou tecnicamente viável e tende a se tornar um negócio promissor daqui para frente", afirma. Segundo ele, não existem experiências semelhantes em outras partes do mundo.



Pesquisador propõe substituição de combustíveis fósseis por pneus velhos

Uma pesquisa realizada na Escola Politécnica (POLI) da USP aponta um novo caminho para ampliar a geração de energia no País. Um estudo realizado no Laboratório de Análise Térmica do Departamento de Metalurgia e de Materiais da Poli propõe um método para a queima de pneus que reduz drasticamente a geração de fumaça e ainda gera excedentes de energia em relação aos processos tradicionais. A pesquisa é inédita. "Muitas pessoas trabalham com pneu, mas a utilização de filtro cerâmico com variações de temperatura na emissão de poluentes durante o processo de combustão é única no mundo", esclarece o pesquisador Jefferson Caponero, que está elaborando uma tese de doutorado sobre o tema.
O método imaginado por Caponero utiliza a pirólise, processo em que ocorre a degradação térmica do material com a ausência de oxigênio. Neste processo, enquanto a temperatura aumenta o material torna-se gasoso. Algo semelhante acontece com a água em evaporação. No caso dos pneus, a utilização de um filtro de carbonito de silício conseguiu diminuir em 99% a quantidade de fumaça gerada. O filtro retém as partículas que poderiam ficar soltas no ambiente em forma de fumaça. As partículas podem, então, ser queimadas e gerar mais energia. "Não se consegue tal resultado com filtros normais, pois queimam a altas temperaturas", afirma o pesquisador.
Caponero utilizou um sistema em dois estágios para aumentar a eficiência da queima dos pneus. Assim, os resíduos em forma de fuligem gerados no primeiro estágio podem ser quase que totalmente queimados no segundo estágio. O índice de aproveitamento é muito alto e a emissão de poluentes torna-se muito baixa. Esta foi uma das preocupações do pesquisador, que passou um período em Boston, nos EUA para complementar suas experiências. Lá, Caponero concluiu que a queima pode ser a mais completa possível. É isso que evita danos ao meio ambiente. A poluição quando se queimam pneus é resultado dos resíduos do processo, que levam muito tempo para se degradar no meio ambiente.
Segundo Caponero, o processo "poderá substituir combustíveis fósseis, que são um problema para o Brasil, país pobre nessa área. Petróleo e carvão mineral são combustíveis fósseis, substituíveis pela queima de pneus com vantagem". A comparação do pneu com o carvão pode demonstrar a viabilidade do projeto. Para o pesquisador, o carvão é caro. "Seu preço unitário é baixo mas, por ser utilizado em grande quantidade, sai quase tão caro quanto a energia elétrica". Como o pneu velho é normalmente encarado como lixo, o seu valor é baixo. "Se conseguirmos um processo de queima do pneu que se equipare em emissões ao carvão, ele ganha mercado", deduz. A vantagem é ampliada por outros resíduos gerados. O método também resulta em gás, óleo e carvão. Estes elementos aumentam as possibilidades energéticas do processo, pois podem servir como combustível para diversos tipos de indústrias.
O pneu é usado atualmente em alguns lugares do mundo para aquecer fornos em indústrias papel e celulose e cimento. Mas a fumaça preta gerada em sua queima inibe uma maior utilização. As vantagens buscadas pelo estudo de Caponero são um maior aproveitamento do poder calorífico da borracha e uma emissão de poluentes reduzida. O estudo ainda está sendo finalizado. Será concluído no início do próximo ano. Mas boa parte dos resultados já podem ser conferidos com o próprio pesquisador, que já está atendendo interessados.
Mais informações: ( (0XX11) 3091-5235 ou 3091-5243


Pneus velhos serão transformados em combustível na Paraíba

Mais de três milhões de pneus serão triturados na Paraíba e usados como combustível.

Os pneus serão transportados a partir do final de março em curso, para a fábrica de cimento Cimepar, em João Pessoa (PB), onde serão triturados e usados como combustível, em substituição ao coque de petróleo, importado dos Estados Unidos e Venezuela.

Para tanto, será lançado o programa Nordeste Rodando Limpo, próxima segunda-feira (14) às 16h, na Cimepar, do Grupo Cimpor (Cimento de Portugal), instalada na Ilha do Bispo, em João Pessoa.

O gerente de Meio Ambiente do Grupo Cimpor, Cristiano Bacin, disse que o programa Nordeste Rodando Limpo, em João Pessoa, "é uma versão do original lançado em 2003 no Paraná e se constitui em uma ação de responsabilidade social, que tem como objetivo erradicar a dengue e a febre amarela e outras doenças, além de eliminar toneladas de resíduos sólidos poluentes (pneus velhos) que contribuem para o acúmulo de água parada, principal foco de reprodução de mosquitos transmissores de doenças".

Atualmente, no Paraná, lembrou Cristiano, o Rodando Limpo congrega entidades comerciais e empresariais e conta com o apoio da Petrobrás. No ano passado, a iniciativa conseguiu a marca recorde de erradicação da dengue, com um índice de redução de 99,7%, no Paraná.

Diante do sucesso, os idealizadores pretendem expandir a área de atuação do Programa para todo o País, começando pelo Nordeste, com o apoio institucional dos governos estaduais. Pernambuco e Paraíba foram escolhidos para dar o pontapé inicial na Região.

Responsabilidade

Em julho de 1999, a Resolução nº 258 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabeleceu que as empresas, fabricantes e importadores de pneus sejam obrigados a comprovar anualmente, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a destinação final ambientalmente adequada das quantidades dos chamados pneus "inservíveis" produzidos ou comercializados.

De acordo com a determinação federal, as fábricas e distribuidoras de pneus tiveram o compromisso de reciclar 25% de sua produção no ano passado. Para este ano, o volume deve ser de 50%. A missão ainda é atingir 100% em 2004. No ano de 2005, a reciclagem deverá superar a produção, com cinco pneus reciclados para cada quatro fabricados.

O Conama ainda proibiu o armazenamento de pneus velhos em grandes espaços, a céu aberto. Mesmo assim, segundo levantamentos técnicos, atualmente existem cerca de 100 milhões de pneus abandonados em aterros, lixões, córregos, lagoas e rios do Brasil. A triste realidade serve apenas para oferecer mais riscos ao Meio Ambiente e à saúde pública.

O problema tende a ser ainda pior já que, no mês passado, o governo federal isentou de qualquer multa as importações de pneus "meia-vida" vindos dos países do Mercosul, principalmente da Argentina. Após a decisão, os EUA e a União Européia se mostraram interessados em exportar este material para o mercado brasileiro. Com a medida, reprovada por integrantes do próprio PT, o Brasil passará a receber mais de 40 milhões de pneus recauchutados por ano, transformando-se em um lixão mundial.








UE não poderá mais depositar pneus em aterros e quer exportá-los para o Brasil

Os aterros sanitários da União Européia (UE) recebem, em média, 80 milhões de pneus triturados anualmente. A partir de 16 de julho deste ano, os países da UE terão de encontrar outro destino para esses resíduos. A legislação da UE, por meio da norma técnica Diretiva sobre Aterros 1999/31/CE, passa a proibir o depósito de pneus triturados em aterros sanitários. Esse é um dos motivos que levou a UE a pressionar o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) para liberar a importação de pneus reformados.

Detentor da maior frota de veículos dos países em desenvolvimento, o Brasil é um destino em potencial para os pneus usados europeus. E pneus de automóveis só podem ser reformados uma única vez. Isso significa que os pneus reformados importados da Europa têm uma vida a menos do que o pneu novo e se transformarão em lixo no Brasil. Se o governo brasileiro for obrigado por decisão da OMC a permitir a entrada de pneus reformados, os europeus encontrarão no território brasileiro uma alternativa para os seus aterros sanitários.

O marcos regulatório da UE demonstra que esses países estão cientes dos problemas do acúmulo de pneus no meio ambiente e para a saúde, aspectos que são amplamente abordados na defesa brasileira. Estão crescendo cada vez mais as restrições para o tratamento desses resíduos gerados nos países desenvolvidos. Desde 2003, os países da UE não podem mais depositar pneus inteiros nos aterros sanitários e, agora, não podem mais depositar nem pneus picados. A partir de dezembro deste ano, a legislação determina que os europeus devam reutilizar e revalorizar 85% do peso de cada veículo (e nesse percentual incluem-se os pneus). Em 2008, a lei torna-se ainda mais restritiva para a emissão de gases na atmosfera, o que vai interferir na queima de pneus como combustível em fornos de cimenteiras ou fábricas de papel.

A UE se opõe explicitamente ao despejo do ônus dos resíduos de pneus sobre seus países-membros mais pobres, porém, adotou como instrumento de gestão de resíduos a exportação de resíduos de pneus para países não-membros. Em janeiro, a União Européia contestou a posição do Brasil em relação aos pneus reformados na OMC. Entre os dias 5 e 7 de julho, acontece em Genebra, Suíça, a primeira reunião da OMC para tratar do assunto. O Brasil apresentou sua primeira petição no dia 8 de junho.

A delegação brasileira que vai à Genebra defender a proibição da importação de pneus reformados terá representantes dos ministérios de Relações Exteriores, da Saúde, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, do Meio Ambiente, do IBAMA e da Casa Civil. A defesa do país estará baseada em aspectos ambientais e de saúde pública, conforme decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

A defesa do Brasil sustenta que o resíduo de pneu é um problema crescente e grave de saúde pública, particularmente em países de climas tropicais, já que empilhados servem de criadouros para mosquitos transmissores de dengue, febre amarela e malária. A queima desse resíduo também cria uma ameaça perigosa. Ela libera óleo pirolítico, que contém produtos químicos tóxicos e metais pesados capazes de produzir efeitos adversos à saúde, como perda de memória, deficiência no aprendizado, supressão do sistema imunológico, danos nos rins e fígado. Esse óleo pode viajar longas distâncias, contaminando solo e água, além de penetrar em lençóis freáticos. Estudos demonstram que a poluição de águas causada pelo escorrimento derivado da queima de pneus pode durar até 100 anos.

A queima do pneu emite ainda fumaça tóxica e pode representar riscos de mortalidade prematura, deterioração das funções pulmonares, problemas do coração, depressão do sistema nervoso e central. A céu aberto, ela é 13.000 vezes mais mutagênica que a queima de carvão em instalações bem desenhadas e operadas apropriadamente. E a incidência de incêndios de pneus é comum. Só em Minas Gerais foram registrados 338 incêndios de pneus desde 2000, no Distrito Federal foram 64 desde 2002 e o Paraná registrou 63 somente em 2005.

Os motivos do Brasil manter a proibição da importação desse resíduo são vários. Como os próprios países da UE defendem internamente, o armazenamento de pneus em aterros não é seguro do ponto de vista ambiental: "eles tendem a voltar à superfície e quebrar as coberturas das camadas, prejudicando o assentamento da terra no longo prazo e a sua reabilitação". Os europeus ainda se preocupam com os pneus porque eles "podem lixiviar substâncias químicas orgânicas potencialmente prejudiciais" e porque o aço dentro deles "pode danificar as camadas da geomembrana".

Utilizados como combustível em fornos de cimenteiras, em função do alto conteúdo energético, os pneus não deixam de emitir poluentes para atmosfera na incineração. A diferença da queima a céu aberto é a presença de controles de emissões, que reduzem, mas não eliminam o volume de poluentes. A reciclagem também é difícil por não ser possível obter materiais, a partir do pneu, com propriedades similares às dos materiais originais usados na sua produção. O custo para o corte, a trituração e a granulação é alto. Além disso, o uso de grânulos finos no asfalto ainda não teve o impacto ambiental totalmente avaliado. A Europa utiliza apenas 1% de seus grânulos de borracha para a superfície de estradas. Há ainda outros usos dos resíduos de pneus, como a fabricação de solas de sapatos e de campos de golfe indoor, mas inda permanecem em caráter experimental.

O controle sobre o tratamento dos resíduos de pneus também é muito complexo. Em 2005, oito empresas fabricantes foram multadas pelo IBAMA por não darem destinação final ambientalmente adequada aos pneus chamados inservíveis (que não podem mais ser reformados), conforme Resolução 258/99 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), referente ao ano de 2004. O valor total das multas chegou a R$ 20.543.895,00. A Pirelli Pneus S/A e a Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda. foram as duas empresas que pagaram multas mais altas: R$ 6,5 milhões e R$ 6 milhões, respectivamente.

O IBAMA também multou importadores, que trazem pneus usados para o país por meio de liminares judiciais como matéria prima, por não cumprimento da mesma resolução. As multas também foram aplicadas pelo IBAMA ter identificado a venda direta de pneus usados importados (meia vida), o que é ilegal. Entre 2003 e 2005, cinco importadoras foram multadas por R$ 4.880.592. A BS Colway Pneus Ltda foi responsável pelo maior volume de pneus não destinados devidamente nesse período.

Vários países mantêm, como o Brasil, a proibição sobre a importação de pneus usados e reformados. Argentina, Bangladesh, Bahrén, Nigéria, Paquistão, Tailândia e Venezuela proíbem a importação desse resíduo. Marrocos, Macedônia, São Vicente e Granadinas e Jordânia exigem licença prévia para autorizar esse tipo de importação. No entanto, somente o Brasil é alvo de contestação da UE na OMC.

A discussão sobre a importação de pneus usados e reformados não se dá apenas na esfera internacional. O Brasil está debatendo o assunto internamente, por meio do projeto de lei 203/91 que tramita na Câmara dos Deputados. O projeto institui a Política Nacional de Resíduos. A votação do substitutivo do projeto realizada no último dia 21 foi anulada pela Mesa Diretora da Câmara, sob a alegação de que o relator, deputado Feu Rosa (PP-ES), já havia apresentado proposta sobre o mesmo assunto na Casa.

Fonte: ASCOM/MMA


A disputa na OMC

Em janeiro deste ano, a União Européia (UE) solicitou à Organização Mundial do Comércio (OMC) o estabelecimento de um painel arbitral para analisar a postura brasileira quanto à importação de pneus reformados daquela região. O Brasil proíbe a importação de pneus reformados e de carcaças, baseado em questões ambientais e de saúde pública. O Governo Federal mantém essa posição, pois reconhece que dar um fim adequado a esse tipo de resíduo é hoje um problema internacional.

O impasse envolvendo a UE se iniciou em novembro de 2003, quando o Bureau Internacional das Associações de Vendedores e Recapadores de Pneumáticos (Bipaver, sigla em francês) alegou que a proibição da entrada de pneus reformados pelo Brasil estaria causando prejuízos comerciais a alguns reformadores europeus. Com isso, a União Européia realizou, em janeiro e março de 2004, investigações sobre o que seriam
práticas comerciais brasileiras que impedem a importação de pneus reformados.

O Governo Brasileiro forneceu aos europeus, cópias da legislação pertinente, dados estatísticos e, principalmente, informou sobre as razões ambientais e de saúde pública que levaram o país a proibir a importação de pneus usados.

Apesar dos esforços e ao contrário das expectativas, o relatório das investigações da UE, de setembro de 2004, concluiu que as medidas brasileiras estariam contrariando regras da OMC. O documento recomendou que fosse definido prazo, até outubro daquele ano, para que o Brasil baixasse suas barreiras. O que não aconteceu.

Em junho de 2005, a União Européia solicitou ao Brasil a realização de novas consultas. Na ocasião, o Brasil, mais uma vez, forneceu todas as respostas às questões formuladas pelos europeus. Demonstrou, inclusive, que as medidas adotadas internamente estão de acordo com o sistema multilateral de comércio.

No entanto, ainda insatisfeita com o resultado de toda a série de consultas, a UE decidiu apelar à OMC e tentar forçar a entrada de milhares de pneus reformados no Brasíl. A mesma iniciativa não foi tomada contra a Argentina, que também proíbe a entrada de pneus usados, uma ação semelhante a que adotou em relação ao Brasil.

Abrir o mercado brasileiro à importação de carcaças de pneus ou de pneumáticos reformados (com vida mais curta) pode agravar os problemas do país. A capacidade nacional de dar um destino adequado a esse tipo de resíduo ficaria sobrecarregada, trazendo mais impactos ao meio ambiente e à saúde da população.

Caso o Brasil perca a disputa junto à OMC, também há o risco de, futuramente, ser obrigado a aceitar a entrada de outros bens de consumo usados, como eletro-eletrônicos. Assim, o país poderia se tornar um grande depósito de resíduos de países desenvolvidos, como já ocorre em regiões da África.

Uma derrota brasileira também enfraqueceria a posição de outros países em desenvolvimento membros da OMC, que desejam adotar medidas contra a entrada de resíduos em seus territórios.

0 comentários:

  • RSS
  • Delicious
  • Digg
  • Facebook
  • Twitter
  • Linkedin
  • Youtube